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A utilização de elementos de folclore/cultura popular como fonte de inspiração para a criação artística é prática corrente em todo o mundo. E há muito tempo.
Chamamos de projeção estética a utilização de manifestações praticadas de forma espontânea - mas não menos bela e vigorosa - na música, artes plásticas ou na literatura, com motivações distintas das originais.
Com preocupações pan-regionalistas e não xenófobas, o repertório do Balé Folclórico Abaçaí busca incluir números musicais e coreográficos de todo o Brasil. Evidentemente destaca o rico folclore paulista, nunca mostrado por grupos de outras regiões.
Neste sentido, destacam-se em seu repertório, entre outros:
Afoxé
O Afoxé é um cortejo de rua que sai durante o carnaval (em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará), também conhecido como Candomblé de rua. Sua definição mais sintética e exata foi dada pelos Filhos de Gândhi do Rio: Axé na rua. As agremiações são sempre ligadas a algum terreiro congregando iniciados e simpatizantes. Na rua, o pé de dança (forma de dançar) é o mesmo de dentro dos terreiros, conduzido por tambores, xequerês e agogôs.
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Bumba-meu-boi
Os folguedos que têm como centro do entrecho a figura do boi multiplicam-se de Norte a Sul do Brasil. Variam os ciclos (épocas) em que aparecem: Natal, Carnaval, São João ou mesmo nas festas avulsas dos santos padroeiros. Variam também suas denominações (Bumba-meu-boi, Boi-bumbá, Boi-de-mamão, Boi pintadinho, Boi de janeiro, Boi de reis, Boi holandês, ou simplesmente Boi/Boizinho), como variam os aspectos formais de sua organização. Já se discutiram muito as origens dos nossos folguedos de boi. Não há como negar em sua estrutura a confluência de traços de origens diversas, do teatro hierático medieval, à Comédia del Arte, aos Autos Pastoris ibéricos, sem podermos deixar de lado as contribuições das várias culturas negras trazidas para o Brasil.
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Caboclada
Cabocladas, Cabocolinhos, Caboclinhos, Indiada, Caiapó, Caiapô ou Dança dos Tapuios são algumas das denominações com que aparecem, em todo o Brasil, folguedos com temática indianista, calcada sobretudo na visão de um índio idealizado.
Surgem durante o ano todo em nossos ciclos culturais e em festas de oragos e santos de devoção popular. Em São Paulo, denominados Caiapós e Bugrada, são bastante encontráveis, sendo os mais famosos os de Ilha Bela e São José do Rio Pardo.
O Abaçaí recriou uma Caboclada, dentro de uma visão sincrética, pan-regional, procurando mostrar alguns dos elementos rítmicos, coreográficos e visuais de muitas das variações ocorrentes no Brasil.
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Carimbó
Dança de pares soltos e de solistas encontrável no Pará e, com variantes, no Maranhão. Sua sensualidade, requebros e trejeitos aproximam-na hoje das descrições que encontramos dos antigos lundus. Comporta momentos miméticos em que, em grupo ou pares solistas, os dançarinos imitam a peleja de um caçador com uma onça, os arrodeios de um peru, uma pessoa atacada por formigas,... Como na maioria de nossas danças negras, a força do acompanhamento está na percussão pesada.
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Capoeira
A capoeira no Brasil Colonial era luta com que os negros defendiam sua precária liberdade no Rio de Janeiro, na Bahia, Maranhão e Pernambuco.
Hoje, difundida por todo o Brasil, configura-se mais como jogo, "vadiação". Como tal, é praticada em roda sempre ao som de berimbaus, podendo ser também acompanhada por pandeiros e atabaques.
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Chula de palhaços
Com as mais variadas denominações, mas sempre com a função de divertir, debochar, gozar, mangar, os palhaços se fazem presentes na maioria de nossos folguedos. Com cara pintada ou com máscaras dos mais diversos materiais (peles de animais, tecidos, napa, teia de arame, pena de galinha, cabaças, papelão, colagem de papel), com trajes volumosos e vistosos ou simples pijamões de chitão, dançando, dando saltos acrobáticos, declamando romances tradicionais, jogando versos decorados (picantes ou não) ou "jogando verso no repente", aparecem geralmente em duplas ou pequenos grupos, ou mesmo em grandes bandos de 10, 15, 20 pessoas, como ocorre no interior sul do Rio de Janeiro.
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Congos de sainhas e terno feminino
Congos, Congadas, Cacumbis, Ticumbis e Catopês são cortejos que, revelando grande aculturação africana, aparecem nos mais diversos pontos do país, em festas religiosas, sobretudo nas dedicadas a Nossa Senhora do Rosário e a São Benedito.
Às vezes possuem reinado (rei, rainha, vassalagem), envolvendo parte dramática com embaixadas e lutas.
Mais comumente aparecem na forma de préstitos, os participantes cantando e dançando. São facilmente encontráveis da Paraíba ao Paraná sendo a maior área de concentração os estados de Minas Gerais e São Paulo.
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Dança de pares
As danças de pares, enlaçados ou soltos, animam os bailes de salão ou barraca em todo o Brasil.
Muitos, como a seqüência que faz parte de nosso repertório, guardam nítidos traços de suas origens as danças da corte. Dentre elas escolhemos algumas nas versões tradicionalistas gaúchas (Pezinho, Anum, Chimarrita) e outras de incidência geral (os Chotes, Marcado, Passeio e Carreirinha, e a Mazurca de 4).
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Fandangos
Fandango, no Interior Sul e Litoral Sul, continua a designar o baile, a folgança com que se animam ocasiões especiais (casamentos e aniversários), bem como danças de sapateado forte (fandango de tamancos e fandango de chilenos) ou uma verdadeira suite de danças em que os sapateados e palmeados se alternam com os enfiadinhos (figurados).
Muitas dessas danças guardam nítidos traços de sua origem nobre. Provenientes da corte européia, embalaram os salões da corte brasileira e continuam a animar os nossos bailes e festas populares. É assim com os tchotes (carreirinha, marcado, simples, inglês), com a mazurca (simples e de quatro), com as vaneirinhas, o caranguejo, a palminha e tantas outras. Basta começar um arrodeado com seus rufados (sapateios) e palmeados que não faltam dançadores na roda.
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Grito da noite
O grito da noite é o bloco que, arvorando-se na temática do terror e com muito deboche, sai, tradicionalmente, na noite da sexta-feira antes do carnaval, pelas rua de Santana do Paraíba (SP). À luz de archotes vara a madrugada arrastando a multidão que acorreu de outras cidades.
Em nossas apresentações agrupamos traços dos carnavais de rua, espontâneos do Brasil. Para encerrá-las escolhemos o frevo, dança acrobática em que se nota clara presença dos movimentos da capoeira, e que, no carnaval, ganha as ruas, sobretudo do Rio, de Salvador e Recife/Olinda.
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Maculelê
Maculelê é um bailado guerreiro e acrobático que exige grande perícia dos participantes na articulação de saltos e manejos de bastões. Nos movimentos e acrobacias mantém relação íntima com a capoeira, a cujo contexto, hoje em dia, está quase sempre associado.
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Moçambique
Moçambiques ou maçambiques são folguedos que aparecem durante quase todo o ano nos municípios do Vale do Paraíba, nos que circundam a cabeceira do Tietê, Noroeste de São Paulo, todo o estado de Minas Gerais, notadamente a Grande Belo Horizonte. São grupos religiosos que homenageiam com suas músicas e suas danças seus santos padroeiros, sobretudo São Benedito e Nossa Senhora do Rosário. Suas atuações caracterizam-se por manobras (evoluções) e manejos de bastões, por vezes complicados, ou mesmo sapateados que exigem dos participantes destreza ímpar. Seu traço distintivo são os paiás, (carreiras de guizos) ou gungas (pequenos chocalhos de lata), atados aos tornozelos dos moçambiqueiros.
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Maracatu
Cortejo real, derivados dos antigos préstitos dos reis do Congo, que homenageavam Nossa Senhora de Rosário. Suas saídas resumem-se ao carnaval, não deixando entretanto as agremiações de cumprir seus rituais mágico/religiosos. O cortejo é luxuoso e dele fazem parte grande número de baianos, caboclos de pessoa e nobreza (destacando-se sob um grande "Chapéu-de-sol" as figuras do rei e da rainha) O bailado mais expressivo é executado pela dama do povo que carrega nas mãos uma boneca, figura totêmica dos maracatus - a Calunga.
As nações ("sinônimo popular de grande grupo homogêneo") são acompanhadas de grande número de caixas e tarol, sob a rítmica característica dos agogôs.
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Parafusos
Parafuso é dança de grande singeleza, mas de belo efeito visual. Sempre girando, "torcendo e retorcendo", em grupo, rapazes fazem armar um conjunto de anáguas brancas, rodadas e sem goma, que dispõem, estrategicamente, do pescoço à cintura. Foi documentada nos municípios de Lagarto e São Cristóvão, em Sergipe.
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Pisa Pólvora
Dança de sapateado com tamancos do ciclo joanino em Sergipe.
Trata-se, na verdade, de uma variante dos cocos (danças de sapateado encontradas em todo o SE). Recebe no município de Estância (SE) o nome de Pisa Pólvora ou Batucada busca-pé pelo fato de ser dançada em volta dos grandes pilões em que se soca (pisa), em regime de mutirão, a pólvora para o fabrico artesanal de busca-pés, rojões e espadas de fogo.
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Quadrilhas
Até fins do século XIX a quadrilha era dança de salão da nobreza. Na Europa como aqui. Acompanhada por violinos e executada em 5 partes, finalizava-se sempre com o galope.
Popularizou-se, ganhando salas mais modestas, sobrevivendo marcada numa corruptela de francês. Em muitas regiões (de São Paulo, incluso) são conservados traços aristocráticos e marcas das primitivas quadrilhas, ainda que em danças com denominações que não lhes façam menção.
No repertório do Balé Folclórico de São Paulo possuímos duas versões de quadrilhas em linguagem cênica: a Tradicional e a Nova Quadrilha Nordestina.
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Reisado
Os reisados aparecem durante o Ciclo de Natal a partir da Bahia, pelos estados do Nordeste até o Piauí. É uma sucessão de cenas com personagens características que se apresentam ao som de músicas apropriadas a cada uma. Seguem a mesma tradição secular ibérica, indo de casa em casa, fazendo em cantoria a pedição de abertura de porta e louvação aos donos das casas. Cantam o nascimento do Menino Jesus numa fusão de temas sacros e profanos.
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São Gonçalo da Mussuca
De cunho essencialmente religioso, a dança de São Gonçalo aparece na maioria dos estados brasileiros, com a participação predominante de homens, com seu palmeado e sapateado, ou mesmo com animada participação de pares. No tangente aos aspectos rituais, o São Gonçalo dançado na comunidade da Mussuca (Laranjeiras/SE), com população essencialmente negra, se aproxima do que ocorre com esta dança no resto do Brasil (cumprimentos de promessas, a devoção ao santo violeiro, as jornadas ou voltas). Possui, entretanto, dois aspectos que chamam a atenção: o fato de todos os dançadores (somente homens) estarem vestidos de saias, com xales e adornos, e o momento da chula, em que todos, animadamente, volteiam em requebros pela sala.
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Xaxado
Dança conhecida desde a década de 20, e bastante divulgada no agreste Pernambucano e sertão da Bahia pelo cangaceiro Lampião e seus "Cabras". Inicialmente constituía-se em dança exclusivamente masculina. Hoje encontra-se bastante difundida em quase todos os estados do Nordeste, por bandos de "novos lampiões e marias bonitas". O termo Xaxado provavelmente seja a onomatopéia do rumor das alparcatas arrastando-se no solo - "xa-xa-xa". Não possuindo música própria, é executada ao ritmo do baião ou xote (nordestino).
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Xirê - A dança dos orixás
Os Xirês são a parte pública dos rituais de candomblés. Acontecem sempre nos barracões ou salas, em momentos em que os leigos podem ter acesso. É também denominado, por alguns, brincadeira dos Orixás, momento em que durante a execução dos toques e cantos específicos, cada orixá, ao ser saudado, pode comparecer incorporando-se em seus iniciados, desenvolvendo seus atos rituais com gestos e comportamentos próprios.
Neste Xirê, o Abaçaí procurou criar o clima funfun, em que se destaca a cor branca, de Oxalá, predominante nas casas votadas a este orixá.
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