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No final de 1979, o Abaçaí se aproximou do Grupo Tabefe. Alguns de seus integrantes participaram do espetáculo de fim de ano deste, construído a partir de folguedos natalinos.
No início de 1980, a convite e por acertos, o Abaçaí se transfere para o espaço do Tabefe, na Praça da Sé. Passou a ser uma situação cômoda, em local de fácil acesso,
com ausência de gastos para manutenção de espaço. Os dois grupos levantaram, a partir do espetáculo natalino do Tabefe, o Festa de Reis, espetáculo modular que se adaptava a qualquer situação, marcando nossa incursão artística mais séria no universo do Folclore/ Cultura Popular Tradicional. Foi a oportunidade de re-elaborarmos cenicamente os muitos elementos preservados de nossas vivências, ou amealhados em pesquisas, até então, não sistemáticas.
O Festa de Reis foi um grande divisor de águas: a partir dele, o Abaçaí não foi mais
o mesmo, e a estrutura do Balé Folclórico estava delineada.
Os deslocamentos para apresentações eram facilitados pela infra-estrutura da ABEF (Associação Beneficente dos Economiários Federais), a mantenedora do Tabefe, sensibilizada por tantos associados comprometidos com
essa linha de atuação.
Paralelamente à atuação conjunta, cada um dos grupos desenvolvia suas atividades cênicas próprias. Na rua, se confundiam.
A partir da experiência com Festa de Reis, as atividades nas ruas e logradouros públicos foram se diversificando e se ampliando, seguindo um calendário espontâneo, ou procurando, por vezes, contemplar os ciclos culturais (São João, Natal, Carnaval,...).
Assim é que, por vezes, saíamos para a rua com danças de pares, documentadas no interior de São Paulo. Numa primeira rodada, nossos casais, com trajes característicos, dançavam, como que para exemplificar. Na seqüência, os rapazes tiravam damas e as moças, cavalheiros da assistência, e outros pares se formavam. O mesmo acontecia, seguidamente, em ruas e praças de bairros, durante eventos populares, sendo que, durante o ciclo joanino eram as quadrilhas que seguiam o molde descrito.
Intensificaram-se também na Praça da Sé e arredores, as mascaradas, de que falaremos adiante, e não tardaram a surgir nossos primeiros bonecos gigantes: - Nhô Tico e Nha Barbina, o Casal de Velhos do reisado.
Este foi também o momento em que se despertou no grupo a necessidade de se dedicar, sistematicamente, aos estudos de folclore/ cultura popular, passando a se envolver regularmente com pesquisas de campo. Várias pessoas se matricularam no curso da Escola de Folclore, do Museu de Folclore, outros tantos freqüentavam seus seminários mensais, palestras realizadas em outras instituições ou se organizavam para a observação e documentação das festas religiosas/ populares. Passou a receber também o apoio e a colaboração de pesquisadores experientes e respeitados.
O início da década de 80 significou ainda a aproximação com o universo dos candomblés na Grande São Paulo, com a freqüência regular a festas e cerimônias nos terreiros, e o estreitamento de relações com Ekedes, Ogãs e Alabês em nosso espaço, ampliando muito nosso referencial
cultural e enriquecendo mais ainda nosso universo rítmico, corporal e coreográfico.
Teve início, paralelamente, uma reestruturação de nosso trabalho cênico, a
essa altura já muito envolvido com uma estética circense. Sentimos necessidade de ampliação de nossa bagagem técnica, necessidade de acrobatas/ acrobacias. Estimulamos muitos de nossos atores a freqüentar a Academia Piolim de Artes Circenses, mantida pela Comissão de Circo da Secretaria de Estado da Cultura, no Parque Anhembi, com o compromisso de orientarem, na seqüência, os treinamentos de outros integrantes do grupo, facilitando a criação de um dos espetáculos que muito nos marcou- O Tempo de ½ Silêncio - criado a partir de um poema homônimo de Carlos Drummond de Andrade.
Em 1979, começava-se a falar de abertura política no Brasil. Mas o fim da Censura ainda era uma incógnita. Não se tinha ainda segurança, uma vez que a máquina da repressão ainda não havia sido tocada. E o texto do Drummond sintetizava bem
esse sentimento, esse estado de espírito.
A partir de 1982, teve início a linha de shows, espetáculos musicais e recitais. Em todos eles, buscava-se divulgar o material oriundo de nossas pesquisas, num verdadeiro contraponto aos produtos massivos e homogeneizados. Ampliaram-se mais ainda as possibilidades de ocupação de espaços e de mobilidade.
Na metade de 1984, encerrou-se a parceria Abaçaí/ Tabefe e ficou acertado que o Festa de Reis continuaria a ser levado
pelo Abaçaí, o que assim seguiu por alguns anos, diluindo-se, por fim, no repertório do Balé Folclórico, que assimilou muito de sua linguagem.
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O
início
As linhas mestras
O bando
Amadurecimento
Surge o nome Abaçaí
O divisor de águas: Folclore
Ação Cultural
Chegada ao Parque
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