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São muitos os relatos que dão conta desse lado receptivo dos nossos índios. Interessante o observado por Léry junto aos tupinambás:
"Terminada a primeira saudação festiva das mulheres americanas o mussacá que durante todo esse tempo permaneceu sossegado num canto da casa a fazer flechas , dirá sem parecer avistar-nos (costume bem diferente dos nossos, cheios de mesuras, abraços, beijos e apertos de mão):- Erêjube, isto é, 'vieste, como estás, que desejas etc.' A isto se responderá de acordo com o colóquio formulado em língua brasílica.
Depois disso o mussacá perguntará se queremos comer. Se respondermos afirmativamente, mandará depressa aprontar e trazer numa bonita vasilha de barro um pouco de farinha que comem, veações, aves, peixes e outros manjares; como, porém os selvagens não têm mesas nem bancos nem cadeiras, servem-no no chão raso. Quanto à bebida, dão-nos cauim os selvagens que costumam ter preparado."
No contexto da religiosidade negro-brasileira, não há festa ou simples ritual que não termine com ageun (comida). O mesmo se diga das rodas de samba, de pagodes, finais de peladas (partidas espontâneas de futebol).
Com a persistência de nossas grandes festas populares, em especial as Festas do Divino, sempre com
refeições em fartura, tivemos este traço reforçado em nosso inconsciente coletivo.
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