|
Durante seis anos a Abaçaí Cultura e Arte, como decorrência das pesquisas que vinha fazendo sobre o assunto, reuniu na Capital Bonecões, Cabeções, bichinhos de saias e outras expressões do núcleo temático.
Isto contribuiu, de um lado, para a divulgação desta expressão cultural presente em mais de 25 municípios de São Paulo, e de outro para sua maior dinamização. Culminou com o projeto Bonecões, Caras e Caretas na XX Bienal Internacional de São Paulo de que
constaram: - Exposição de exemplares vindos do interior (300 m2 de área), V Concentração e I Festival Estadual de Bonecos de Rua na abertura do evento.
Expressão da cultura universal, os bonecos gigantes tiveram o seu auge na Europa durante o Renascimento com as grandes encenações públicas e,
desde o início deste século, vêm experimentando grande revivescência sobretudo na Espanha, Portugal, França e Flandes, sendo objeto de congressos e comissões de pesquisas, onde são organizados desfiles e concentrações com grande afluxo de exemplares.
No Brasil aparecem de Norte a Sul como parte integrante dos mais variados folguedos, com destaque para os que aparecem, isolados ou em grupos, no Ciclo de Carnaval.
A mídia tornou famosos, e com justeza, os Gigantões de Olinda. Entretanto é no Estado de São Paulo que registramos a maior incidência dos mesmos (apesar de que poucos saibam disto).
As pesquisas que a Abaçaí Cultura e Arte vem realizando há mais de 15 anos revelam a existência em mais de 25 municípios paulistas, sob as mais diversas denominações e com variação nas técnicas de confecção, guardando porém, entre si,
traços marcantes que os ligam diretamente aos que nos foram legados pelos portugueses e espanhóis.
Aparecem durante todo o ano em meio aos mais diversos festejos populares (sacros ou profanos), acompanhados de um séquito variado (cordão de bichos, sacizada, cabeções, bonecos menores, ...).
Perderam-se no tempo os referenciais de sua chegada a São Paulo. Mas conservaram-se os traços básicos que os filiam a suas matrizes ibéricas, sobretudo na relação com os bonecos processionais espanhóis (gigantes e cabezudos /
enanos).
Variam as denominações dos conjuntos - Juritica (Litoral Sul), Pereirões (Região da Mantiqueira), Maria Angu (Vale do Paraíba e Litoral Norte), Cordão de Bichos (Médio Tietê). São Também variados os seus
séqüitos, quando na rua, da insistência rítmica dos Zé pereiras (preservando-se os toques característicos do século XIX) à Sacizada (rapaziada mascarada) aos Bichinhos de saias e Pereirinhas (bonecos menores manipulados até por crianças).
Não faltam blocos que, no carnaval, se arrastam atrás de figuras totêmicas. É o caso do Boi-Tatá, em Iguape, enorme boi de 6 ms. de envergadura. O cortejo se avoluma à medida que vai avançando. Param nas portas dos bares ou determinadas residências gritando uns "é o Boi"! e respondendo outros "Tatá"! Até que ganham o que pretendem:- litros de pinga, conhaque, garrafões de vinho. E assim segue a farra. Engrossam, por vezes, o cordão o Tinico, a Juritica e sua prole (bonecões gigantes), e multidões de turistas.
Em São Bento do Sapucaí o Pereirão e a Pereirona, com seus 3 metros de altura, começam a sair às ruas nos finais de tarde do início de janeiro até o carnaval, quando ganham o acompanhamento dos Pereirinhas, bonecos menores, mais leves que cabriteiam pelo meio do povo.
Santana do Parnaíba é hoje o último reduto de Cabeções, as cabeçorras que representam anões, pela desproporcionalidade que provocam com os corpos dos que as envergam. É também o município em que a arte dos bonecões experimenta a maior revivescência no Estado, ganhando força o tradicional Grito da Noite, bloco com temas de terror que na sexta-feira antes do carnaval, à luz de archotes por "gigantes" e "anões", caveiras e vampiros.
A realização de encontros, concentrações e festivais possibilitou aos artistas populares (criadores e manipuladores) de S. Paulo contacto, interação e troca de experiências, que deixaram como saldo o aprimoramento, crescimento e dinamização da arte bonequeira em São Paulo.
Proporcionou contato direto e intenso da arte dos bonecões com um grande número de interessados e público em geral, facilitando sua difusão , sensibilizando as administrações municipais para o reconhecimento e apoio à tradição, culminando com o projeto Bonecões, Caras e Caretas na XX Bienal Internacional de São Paulo de que constaram: - Exposição de exemplares vindos do interior, e a realização da IV Concentração e I Festival Estadual de Bonecos de Rua na abertura do evento.
Depois de alguns anos de interrupção, a Abaçaí Cultura e Arte retomou, com sucesso, durante o Revelando S. P. 97 contando, pela primeira vez, com a parceria da Secretaria de Cultura do Estado ,sendo que a partir da edição 98 o evento se fundiu com o Festival Estadual de Bonecos de Rua, dando prosseguimento ao seqüencial como VI e VII Bonecões,
Caras e Caretas - Festival de Bonecos de rua de São Paulo.
Bonecos de rua (gigantes) e bichinhos de saias, enquanto expressões populares e tradicionais, fazem parte da vida cultural de mais de 25 municípios paulistas. Aparecem durante todo o ano integrando os calendários cívicos, do carnaval e mesmo de festas religiosas em quase todas as regiões do estado. Perderam-se no tempo os referenciais de sua chegada a São Paulo. Mas conservaram-se os traços básicos que os filiam a suas matrizes ibéricas, sobretudo na relação com os bonecos processionais espanhóis. Variam as denominações dos conjuntos - Juritica (Litoral Sul), Pereirões (Região da Mantiqueira), Maria Angu (Vale do Paraíba e Litoral Norte), Cordão de Bichos (Médio Tietê). São Também variados os seus séqüitos, quando na rua, da insistência rítmica dos Zé Pereiras (preservando-se os toques característicos do século XIX) à Sacizada (rapaziada mascarada) aos Pereirinhas (bonecos menores manipulados até por crianças).
Aparecem durante todo o ano em meio aos mais diversos festejos populares, sacros ou profanos.
Ocorrência: Aparecida,
Bertioga, Bom Jesus dos Perdões, Campinas, Catanduva, Cunha, Ibirá,
Iguape, Jacareí, Mogi das Cruzes, Monteiro Lobato, Ntividade da Serra,
Ourinhos, Pitangueiras, Poá, Porto Ferreira, Redenção da Serra,
Salesópolis, Santana do Parnaíba, São Bento do Sapucaí, São José
do Barreiro, São Luís do Paraitinga, Tatuí, Taubaté, Ubatuba.
|