|
Sempre
o mesmo, nunca igual
Nesse dia,
porém, deparou-se-lhe apenas um único dentre os arcanos do rio, e este
lhe abalou a alma. Viu que a água corria, corria sempre e todavia
estava lá, ininterruptamente; era sempre, a cada instante, a mesma e
todavia se renovava sem cessar!”
Sidarta - H.Hesse
O presente canal busca dar uma idéia esquemática da diversidade e distribuição das manifestações de
folclore/ cultura popular no Brasil, universo cultural dinâmico que resiste aos tempos e se renova.
As manifestações nele assinaladas foram pinçadas no domínio da tradicionalidade, e contempladas não como simples sobrevivências do passado, mas como resultantes do aprendizado que se dá pela interação social, possuindo dinâmica própria, transformando-se, atualizando-se, de
forma lenta, fora do ritmo vertiginoso das expressões massivas, não
importando o nome que se lhe queira dar. Cultura, viva e dinâmica, através da qual se exprime a vida das pessoas e que diz respeito aos modos de ser, viver, pensar e se expressar de extensa parcela dos brasileiros de todas as classes sociais, um grande número de práticas culturais estruturadas em suas vivências quotidianas e em suas manifestações simbólicas, constituindo-se numa faixa cultural fora do âmbito das instituições de ensino, da cultura escolar e da cultura para as massas.
Para facilitar a compreensão dos que acessarem este site, e sem entrar no âmbito das querelas conceituais, aqui usaremos o termo folclore como sinônimo de cultura popular tradicional, como delineada a seguir.
Universo cultural dinâmico, o folclore/cultura popular resiste aos tempos. Nem mesmo a industrialização e a urbanização, ou mesmo as últimas investidas massivas das grandes redes de comunicação e da indústria cultural foram capazes de assinalar de vez o fim das expressões culturais identitárias, como se preconizava tempos atrás.
"A exploração, o uso abusivo que a cultura de massa faz das manifestações populares, não foi ainda capaz de interromper para todo o sempre o dinamismo lento, mas seguro e poderoso da vida arcaico-popular, que se reproduz quase organicamente em microescalas, no interior da rede familiar e comunitária, apoiada pela socialização do parentesco, do vicinato e dos grupos religiosos". (A. Bosi
-Xidieh)
As manifestações populares, de modo geral, mudam de nome, adaptam-se aos novos tempos, novas situações, ganham apelidos - mas nunca desaparecem.
As festas populares continuam. As formas mais espontâneas de divertimentos não foram descartadas. Como nos ensina Mestre Alfredo Bosi:
"Onde há vida popular razoavelmente articulada e estável, há sempre uma cultura tradicional, tanto material quanto simbólica, com um mínimo de espontaneidade coerência e sentimento, se não consciência, de sua identidade "(Bosi).
Este canal não se propõe a esgotar seu tema. Longe disso.Propõe-se, sim,a possibilitar um primeiro contacto com o mesmo, indicando outras fontes que contribuirão para que aqueles que o desejarem possam aprofundar-se no
mesmo tema.
A palavra folclore foi usada pela primeira vez em 22 de Agosto de 1846 em carta publicada por William John Thoms na revista The Atheneun em Londres. Nela, Thoms batizava de Folk-lore (sabedoria do povo) os estudos sobre as "antiguidades populares', estudos estes que já vinham de muito tempo, tendo ganhado corpo em fins do século XVIII.
A partir de então, a área de interesse desses estudos foi se ampliando e seu conceito se transformando. Hoje, folclore não é mais indicativo de "coisas do passado" mas de cultura viva e dinâmica, e se equivale a cultura popular.
Diz respeito aos modos de ser, viver, pensar e falar, a um grande número de práticas culturais estruturadas nas vivências quotidianas dos cidadãos de todas as classes sociais e em suas manifestações simbólicas. Constitui-se numa faixa cultural fora do âmbito das instituições de ensino, da cultura escolar e da cultura para as massas, através da qual se exprime a vida do homem. Possui dinâmica própria, transformando-se, atualizando-se, de forma lenta, fora do ritmo vertiginoso das expressões massivas; domínio da tradicionalidade, agora vista não como simples sobrevivências do passado, mas como aprendizado que se dá pela interação social .
Vem atravessando os tempos, alcançando o Séc.XXI. Universo cultural dinâmico, resistiu às perseguições e ao controle de que passou a ser vítima por parte da Igreja e da Reforma a partir da metade do Séc. XVI.
Nem mesmo a industrialização e a urbanização, a agressividade da indústria cultural, das grandes redes de comunicação ou mesmo as últimas investidas, massivas ou porta a porta, da "Nova Reforma" (movimentos pentecostais) foram capazes de lhe dar um xeque-mate, como se preconizava tempos atrás: As festas populares continuam.
As formas mais espontâneas de divertimentos e expressão de contentamento, de religiosidade, as soluções caseiras para os problemas e dificuldades que se apresentam no dia-a-dia não foram descartadas: permeiam, mês a mês, o dia- a-dia
dos brasileiros; de modo geral, mudam de nome, adaptam-se aos novos tempos, novas situações, ganham apelidos - mas nunca desaparecem.
Mais recentemente, os ventos da globalização pareciam assinalar de vez o fim das expressões culturais identitárias. Apontaram, entretanto, outras direções, seja pela saturação causadas pelas manifestações de mercado ou mesmo pela busca da diversificação.
Todas as informações contidas neste portal foram coletadas em campo ou em várias formas de trocas/contactos com pessoas das comunidades envolvidas, com pesquisadores de respeito
de todo o Brasil, ou pinçadas em vasta bibliografia (citada sempre que possível) e foram checadas durante sua preparação. Muitas outras estarão sendo incluídas ao longo do tempo.
|