|
O mundo conhecido pelos europeus até o século XV resumia-se a própria Europa, parte da Ásia e norte da África.
O Brasil foi oficialmente conhecido por eles em 1500, num período histórico conhecido como Idade Moderna (1453-1789). Este período se caracterizou por mudanças muito importantes na história da humanidade.
Neste momento de transição conviviam uma Europa Medieval e uma nascente Europa
Moderna
A Idade Media na Europa
A Idade Media teve início com o fim do Império Romano provocada pela chegada dos chamados povos bárbaros na Europa e durou praticamente 1000 anos, (476-1453).
No início deste período os bárbaros espalharam o terror, atacando cidades, saqueando e por fim se estabelecendo e se misturando aos povos nativos dando origem aos atuais povos e paises
europeus. E da mistura da língua falada no Império Romano (o latim) com as línguas faladas pelos bárbaros (o
anglo, o saxão, o germânico, o visigodo, etc.) surgem as atuais línguas européias: o francês, o inglês, o alemão, etc.
Como estas invasões, por sua vez, duraram muitos séculos, na Europa se construíram muitos castelos fortificados que protegeriam os europeus dos
invasores. As pessoas passaram a viver em torno destes castelos praticando uma agricultura e artesanato para a própria subsistência.
A sociedade feudal ficou assim constituída:
• senhores feudais (nobres) proprietários dos feudos, isto é, dos castelos e terras ao seu redor e eram também militares responsáveis pela defesa destas terras.
• clero eram os religiosos pertencentes a Igreja Católica que também possuíam feudos e realizavam os cultos religiosos e a preservação da cultura vinda da Antiguidade, já que dentro de seus conventos transcreviam a mão os livros e conhecimentos antigos e praticamente eram os únicos com domínio da leitura, escrita, matemática, filosofia.
• os servos cultivavam as terras e entregavam parte de sua produção ao senhor feudal em troca da proteção militar e uso do solo.
Era uma sociedade estamental, isto e, cada individuo estava preso ao seu status, sem possibilidade de mudanças.
Politicamente a Europa se constituiu por frágeis monarquias compostas por muitos
feudos. Eram os reinos francos, reino anglo-saxão, reino germânico,etc.
A única instituição universal era a Igreja Católica, grande proprietária de terras e mantenedora da idéia chave da época: o teocentrismo (isto e, Deus como centro de tudo).
A Idade Moderna na Europa
A idade Moderna caracterizou-se pelos renascimentos do comercio, das cidades, dos estados
nacionais, e de um grande desenvolvimento das ciências e arte, e sobretudo do capitalismo comercial.
1. Renascimento Comercial
Notava-se um crescente desenvolvimento do comércio desde meados da Idade Média. Aos poucos, pessoas que por vários motivos não encontravam espaços nos feudos medievais (como era o caso dos judeus que por não serem católicos não poderiam receber terras) começaram a se dedicar ao comércio. Percorriam estradas péssimas e até abriam outras até então inexistentes, transportando produtos trazidos do Oriente, preciosos para os europeus, que tinham tido conhecimento deles durante as Cruzadas.
Eram os perfumes, temperos, porcelanas e tecidos finos, que tornavam a vida na Idade Média menos árida e sem sabor.
Cidades como Gênova e Veneza, ainda na Idade Média, se destacavam neste comércio por terra e pelo mar Mediterrâneo, comprando dos árabes em Constantinopla e Alexandria, produtos do Oriente distante (Japão e China).
2. Renascimento Urbano
Os comerciantes chamados pejorativamente de "pés empoeirados", (devido aos caminhos precários que percorriam), enriquecem e tem o seu poder e prestígio aumentados, passando a ser conhecidos por "burgueses", por serem mais facilmente encontrados dentro ou junto dos burgos onde realizavam comércio. Esses burgos eram pequeninas cidades medievais, escuras e sujas, protegidas por muros, em lugares altos, e sem nenhum equipamento urbano.
Com o comércio, estas cidades também renascem e tem a sua população aumentada, enquanto outras surgem nas rotas comerciais. Aos poucos, os comerciantes conseguem emancipar estes burgos do controle dos senhores feudais, e estas passam a concentrar artesãos, comerciantes de todo tipo, e pessoas que se afastavam das atividades agrícolas dos feudos, buscando maior liberdade em suas atividades.
3. Surgimento dos Estados Nacionais
Os burgueses aliam-se aos reis na defesa de seus interesses, (como aconteceu em Portugal, Espanha, França e Inglaterra) e conseguem deles a aplicação de uma nova política econômica, conhecida como Mercantilismo, visando tornar países, comerciantes, e reis mais ricos. A adoção desta política comercial explica o grande desenvolvimento do comércio internacional e da consolidação do capitalismo
comercial. O mercantilismo tinha certas características que ajudam a compreender muitas atitudes tomadas por Portugal durante a colonização do Brasil. Estas características são:
• controle estatal da economia.
• o metalismo que considerava rico o país que possuía ouro e prata.
• o pais que não possuísse ouro e prata deveria obtém-lo através do comércio garantindo uma balança de comércio
favorável, vendendo mais do que comprando.
• o colonialismo, isto é, o país que não possuía em seu território o ouro ou prata ou produtos para serem comercializados poderia conquistar colônias para consegui-los.
• a criação de Companhias Privilegiadas que realizariam o comércio pelo mundo.
• internamente os países deveriam se organizar para realizar o comercio internacional estabelecendo a moeda-padrão, sistemas de
câmbio, instrumentos de crédito, sociedade por ações.
Os reis, por sua vez, iniciam a cobrança de impostos sobre as atividades econômicas, o que lhes permite criar exércitos próprios, mantendo o monopólio da coerção física nos seus territórios. O poder real se torna absoluto chegando a ser justificado na obra de pensadores da época, como Bossuet, como sendo de origem divina.
São organizados os poderosos Estados Nacionais, muito diferentes das frágeis monarquias medievais.
4. Renascimento Cultural
O modo de pensar muda claramente no transcorrer da Idade Média. O Teocentrismo medieval foi substituído pelo Antropocentrismo.
Após as grandes navegações, os conhecimentos baseados na afirmação das autoridades religiosas passam a ser questionados. É o tempo da busca de um novo conhecimento, baseado na experimentação, na observação e na crítica. É o momento de se estudar o Homem e a Natureza.
Este Renascimento Cultural vai se estendendo pela Itália, França, Portugal, Espanha, Países Baixos, refletindo o Humanismo crescente, e revelando artistas como Rafael, Leonardo, Michelangelo, e cientistas como Copérnico, Galileu, Descartes.
A Igreja Católica, que predominou soberana durante a Idade Média como guardiã do Teocentrismo, sofre críticas, que levam a surgimento de novos movimentos religiosos, e a criação de novas igrejas, como as protestantes, que respondem mais adequadamente ao "espírito da época", aos novos tempos capitalistas, estimulando e justificando o lucro.
|