Localização e formação étnica
Portugal está localizado na Península Ibérica no extremo oeste da Europa e é banhado pelo Oceano Atlântico.

A Península Ibérica foi ocupada por vários povos desde 3000 anos antes de Cristo como os iberos, celtas (séc. VIII e VI AC) fenícios, gregos, cartagineses e romanos (206 AC). Na Idade Média chegaram os bárbaros visigodos (414) e finalmente os árabes muçulmanos (711) que depois da conquista se fixaram na região.

Com a chegada dos árabes, parte dos povos que aí viviam, se refugiaram ao norte da Península Ibérica inicialmente no reino visigodo das Astúrias e depois organizando quatro outros reinos: Castela, Aragão, Navarra e Leão.

Os árabes embora pouco numerosos impuseram facilmente o seu domínio porque distribuíam as terras dos visigodos que abandonaram a região pelos que se mantiveram aí. Foi uma época de grandes progressos com a introdução do cultivo de arroz, algodão, limão e laranja e de novos sistemas de irrigação. Incentivaram as manufaturas de azulejos e de tecidos assim como a prática da pesca no Oceano Atlântico.

A Reconquista
Os reinos do norte nunca aceitaram a presença dos árabes e sobretudo com o crescimento demográfico precisaram recuperar suas terras e se dedicaram a reconquista dos seus territórios que assumiu características de cruzada, isto é, de luta de cristão contra os mouros. Nesta cruzada os cristãos receberam a ajuda de nobres ingleses, franceses, alemães. No Reino de Leão, o rei Afonso VI, que já se unira ao Reino de Castela, recebeu o auxilio de dois irmãos franceses Raimundo e Henrique de Borgonha. Em retribuição pelo auxilio receberam terras e a mão de suas duas filhas em casamento.

Nasce Portugal
Henrique de Borgonha casou-se com Dona Teresa e recebeu um feudo chamado Condado Portucalense, ainda vassalo do Reino de Leão e Castela. Mas o filho deste casal, Afonso Henriques, continuou combatendo os mouros e depois de vence-los em 1139, tornou-se rei e separou-se de Leão e Castela, dando início a uma nova dinastia neste território: a de Borgonha. Nascia assim Portugal.

As dinastias portuguesas: Borgonha, Avis, Bragança.

Portugal desde sua origem até a proclamação da republica em 1910 foi governada por três dinastias; a de Borgonha, a de Avis e a de Bragança.

Dinastia de Borgonha
A dinastia de Borgonha durou de 1139 até 1383 e neste período o Condado expandiu o seu território até o sul da Península Ibérica na região do Algarves em terras tomadas aos mouros.

A sociedade formada pela nobreza, clero, servos e uns poucos homens livres, ocupavam-se basicamente da produção agrícola e as oliveiras, vinhedos, trigo, cevada, centeio, as pêras e maças cobriam a região. A sociedade era feudal com a classe dominante tendo seus privilégios de isenção de impostos e recebendo contribuições em trabalho dos servos em troca da proteção militar e do direito de cultivar a terra.

No entanto a autoridade do rei já era forte, diferentemente do que acontecia no resto da Europa e na direção do pais ele distribuía terras, renovava a marinha e explorava minas. Isto porque a unificação do território português foi concomitante ao fortalecimento do poder real que exigia a manutenção de um exército permanentemente mobilizado contra os mouros.

A partir do séc. XIV houve um renascimento comercial e os reis mais do que nunca interferiram na economia. Portugal que já desenvolvera muito as técnicas náuticas, graças a pesca, (da sardinha, do atum e da baleia) passaram a aplica-las na navegação comercial e cidades como Lisboa e Porto se destacam porque por elas passavam mercadorias trazidas do oriente pelos italianos que eram então levadas para outras regiões de comércio importantes ao norte como Inglaterra e Flandres. Realizavam o comercio entre o sul e o norte da Europa substituindo antigas rotas terrestres, agora comprometidas pela peste, revoltas camponesas e urbanas, agitação social e insegurança nas estradas. As cidades do Porto e Lisboa também se tornavam local de encontro de comerciantes e navegadores onde experiências e informações eram trocadas. O desenvolvimento desse comércio resultou na formação de um ativo grupo de comerciantes, isto é, uma burguesia mercantil portuguesa. Os reis ao mesmo tempo em que protegiam os comerciantes arrecadavam impostos com os quais fortaleciam o estado com seus exércitos, manutenção da corte, construção de castelos, fortalezas, igrejas, e sustento de asilos e hospitais.

Durante o séc. XIV, Portugal enfrentou como o restante da Europa a crise do sistema feudal. Muitos servos deixaram os seus feudos e foram para as cidades onde as condições da vida ainda eram muito ruins. Ao mesmo tempo Castela continuava combatendo os mouros e alguns nobres portugueses desejavam se engajar nesta luta e obter assim a possibilidade de ficar com suas terras ao sul da Espanha e no norte da África.

Quando da morte de Dom Fernando (1367-1383) o ultimo rei da dinastia Borgonha, o trono português passou para sua filha que era casada com o rei de Castela e a união dos dois reinos parecia decidida.

Foi quando a burguesia desejosa de ter um rei presente e atuante, aliada ao povo e parte da nobreza, expulsou estes governantes de Portugal e aclamou rei ao irmão bastardo de D. Fernando, o Mestre de Avis, que subiu ao trono como D. João I dando inicio a uma nova dinastia: a de Avis. Em agosto de 1385 as forças portuguesas venciam as de Castela na Batalha de Aljubarrota.

Dinastia de Avis
A dinastia de Avis realizou a aliança da burguesia com o novo rei o que fez nascer as condições políticas favoráveis a grande expansão comercial e marítima de Portugal no séc. XV. Estas condições eram: a centralização política, acumulação prévia de capitais, grupo mercantil forte aliado aos interesses reais, desenvolvimento náutico.
Foi então que Portugal decidiu livrar-se dos intermediários no comercio com o oriente o que fazia com que eles pagassem muito caro por produtos quase sempre de má qualidade. Os sucessores deste rei realizaram o ciclo oriental atingindo Ceuta, Cabo da Boa Esperança, Índias e o Brasil. O desenvolvimento da atividade comercial tornou-se em Portugal uma empresa do estado monárquico absolutista camuflando os interesses propriamente burgueses de expansão sob uma bandeira: a missão de levar a fé cristã aos infiéis.

O ultimo rei desta dinastia foi o rei D. Sebastião que morreu em Alcacer Quibir em 1578 e o trono foi ocupado por seu tio o cardeal D. Henrique que morreu sem deixar herdeiros. O parente mais próximo era o todo poderoso rei da Espanha Felipe II que incorporou Portugal e suas colônias aos seus domínios. Foi o período da União Ibérica, (1580-1640) que teve como uma das conseqüências desta união para o Brasil a perda da validade da linha das Tordesilhas da qual os portugueses tiraram proveito avançando para o interior do território brasileiro que trará a necessidade de novos tratado de limites entre os dois paises ibéricos com relação ao Brasil no fim desta união.

A União Ibérica só terminou quando o duque de Bragança foi aclamado rei, como D. João IV patrocinado pela nobreza e incentivado pela Companhia de Jesus.

Dinastia de Bragança
A dinastia de Bragança assiste ao fim do apogeu de Portugal e o inicio da decadência do seu império. Para obter apoio de outras nações quando da separação da Espanha, Portugal deu como garantia o seu comercio com as colônias portuguesas. A descoberta do ouro em MG, MT, GO a partir de 1700 prolonga a prosperidade portuguesa por mais algum tempo. Enquanto isto a Inglaterra realizava a sua Revolução Industrial tornando-se em breve o novo centro do capitalismo mundial. Portugal fica sendo apenas o intermediário do comercio entre suas colônias de onde trazia os produtos primários e da Inglaterra que fornecia os produtos manufaturados. Desta forma o ouro brasileiro foi parar na Inglaterra.

Foram também reis da dinastia de Bragança que virão para o Brasil quando das invasões napoleônicas em Portugal (D.João VI em 1808) e que farão a independência política do Brasil em 1822 com D.Pedro.



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