|
Trazido ao Brasil por escravos oriundos das nações Nagô, Banto e Gegê,
o candomblé foi, a princípio, severamente proibido pelos senhores católicos,
mas foi preservado como o único elo existente entre a Terra Mãe e a língua
nativa destes povos. O candomblé é uma religião politeísta, mágica
e ritual, sem a idéia de salvação, julgamento moral ou pecado, mais
direcionada à interferência direta do sobrenatural neste mundo, através
da invocação de potências divinas, chamadas Orixás.
Embora na África fossem cultuados cerca de 400 Orixás, apenas cerca de
20 tiveram seu culto preservado no Brasil, ao longo dos séculos.
Existem várias correntes de candomblé, com ritos nagô, sudaneses,
bantos, e ritos brasileiros dos caboclos e chefes indígenas
brasileiros. Existe a Linha das Almas, de protetores, curadores e espíritos
sábios com conhecimentos de medicina natural.
Os rituais se realizam nos terreiros, casas com vários cômodos, com um
salão grande onde se realizam as danças executadas pelos fiéis
incorporados pelos orixás, onde o público pode estar presente, e um
quarto fechado, chamado peji, onde apenas
iniciados podem entrar. Os rituais sempre são precedidos de sacrifícios
de animais relacionados à simbologia do Orixá invocado, sendo usadas
algumas partes para preparo de comidas especiais, oferecidas no quarto de
assentamento do Orixá.
Os seguidores têm uma relação íntima e respeitosa com um Orixá, o
Santo da sua “cabeça”, e em geral têm traços de personalidade
parecidos com o Orixá que o escolheu como “filho”, e, de acordo com
a mitologia específica deste orixá, escolherá as cores de roupas e
colares, e fará oferendas. As pessoas descobrem quem é o seu Orixá
através do Jogo de Búzios, feito por um Babalorixá (pai-de-santo) ou
uma Ialorixá (mãe-de-santo). Na mitologia original africana, cada Orixá
personificava uma força da natureza, e tem uma personalidade, história,
símbolos e atributos particulares. Além do orixá da cabeça, os
adeptos têm também um juntó, uma segunda divindade protetora, que também
o influencia e a quem também deve prestar respeito.
O ritual afro-brasileiro é rico em música, canto e danças, ritmadas
pelos atabaques, cuja batida favorece o transe. O candomblé é uma
religião de iniciação, onde os novatos passam por provas e
treinamento, para atingirem cada nova fase do complexo processo: as Iaôs
são reclusas e têm as cabeças raspadas, para se preparar para o ritual
de dedicação e se tornarem “filhas de santo”, cerca de 7 anos
depois passam a Ebonim. Algumas, que não são tomadas pelo santo, se
tornam Equedis, auxiliares das filhas que recebem orixás. O posto mais
alto no terreiro do Pai-de-Santo (Babalorixá) ou da Mãe-de-Santo (Ialorixá),
assessorados pela iiá kerere (segunda sacerdotisa), os ogans (homens
com função de guardar o terreiro), o alabê (que dirige os atabaques)
e a sidadã, encarregada do
padê de Exú.
Topo
página
|